Um herói da floresta. Quem serão os próximos?

Por Carolina Nalon comentário(s)

No dia 9 de fevereiro, o ambientalista brasileiro Paulo Adário, diretor da campanha Amazônia do Greenpeace, recebeu da ONU o prêmio de “herói da floresta” da America Latina e do Caribe. Em seu discurso, Paulo disse uma frase muito interessante: “Devemos admitir que o título de “herói” traz um reconhecimento intrínseco pela ONU de que as florestas ainda estão em grande perigo”. O que eu concluo a partir disso é que, se precisamos de um herói, deve ser porque ainda precisamos ser salvos de algo.

Diante desse período próspero de crescimento econômico no Brasil e tendo algumas dezenas de metas futuras de desenvolvimento, pode até parecer estranho dizer que precisamos ser salvos de algo. Mas é interessante pensar: o que o Brasil vai fazer para crescer sem seguir os modelos predatórios de desenvolvimento utilizados por grande parte dos outros países desenvolvidos? E o mais importante: quem está disposto a fazer isso acontecer? É muito mais complexo e difícil se desenvolver de forma sustentável.

Precisamos de profissionais com a real capacidade de entender as dimensões humanas envolvidas nos desafios ambientais. E por dimensões humanas quero dizer políticas, econômicas, sociais e também comportamentais. E mais, esses profissionais precisam fazer com que suas equipes entendam e acatem suas idéias; os próximos “heróis” têm de, antes de tudo, saber liderar.

Tem muito “líder” que não lidera. Muitos que deveriam ser líderes são apenas gerentes. Mas como desenvolver essa habilidade de liderança? Existem diversas formas, eu poderia fazer uma lista das características de bons líderes, mas como sei que damos mais valor ao que aprendemos por nós mesmos, eu sugiro que você reflita sobre quais são as características das pessoas que você considera bons líderes. Permita-se aprender com eles.

Há um ano, tenho acompanhado as novas palestras da Plataforma Liderança Sustentável. As pessoas que falam por lá são, em geral, presidentes de grandes empresas. Eu sei que muita gente do movimento ambiental critica as grandes empresas. Mas lembra? Precisamos expandir nossas habilidades políticas e também entender mais sobre economia/negócios.

Pois é, então, talvez possamos aprender com eles também. Além disso, antes de criticar temos de checar se estamos agindo com bom senso. Se muitos não conseguem nem fazer com que a própria família recicle, imagine quão difícil é implantar uma cultura de sustentabilidade dentro de um banco, por exemplo.

Nossos próximos “heróis” serão os líderes que conhecem as riquezas do Brasil (incluindo as que não são computadas no PIB) e trabalham para que o Brasil cresça de forma que essas riquezas todas estejam a salvo. Eles poderão ser de CEOs de grandes empresas a líderes comunitários. O impacto é diferente, mas a importância deles para o mundo é a mesma. Você quer ser um?

*Quero deixar minha homenagem a dois heróis que perdemos no ano passado: Zé Cláudio e Maria, que, junto a Paulo Adário, também foram homenageados na ONU semana passada. O casal foi assassinado na Amazônia por denunciar atividades de madeireiras ilegais na Amazônia. No vídeo, Zé Cláudio diz que já estava sofrendo ameaças.

**Carolina Nalon é bióloga formada na Esalq-USP e life coach da Sociedade Brasileira de Coaching. Atualmente mora em São Paulo e atende profissionais das áreas ambiental/social. Ela também escreve em seu próprio blog.

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