Jaime Prades cria árvores com madeira usada

Por Maria Luiza Baldez comentário(s)

Quando artista plástico Jaime Prades decidiu reparar no lixo acumulado em São Paulo, detectou que muito do que era dispensado também era desperdiçado. Eram móveis antigos descansando dentro de caçambas, peças de madeira sólida, que um dia haviam sido um ipê-roxo ou um pinho… Daí, resolveu tomar uma postura irônica e crítica, devolvendo toda aquela madeira descartada à sua forma original — ou quase isso.

Assim surgiu a série “Natureza humana”, que já foi exposta em Bonito (Mato Grosso do Sul), e no evento ecoartístico Setembro Verde, que aconteceu na galeria Matilha Cultural, em São Paulo.

O crítico de arte Fábio Magalhães descreve as árvores recriadas com tábuas e pregos como uma “metáfora de vida natural com (…) sobras de construção civil.” Em recente resenha no site Overmundo, Magalhães ainda filosofou:

“A tábua é, em si mesma, um cadáver de árvore; já a tábua como dejeto da construção representa uma morte superlativa, um passo adiante na escatologia de todas as coisas”.

Mesmo sendo conhecido por realizar intervenções urbanas, Prades sente que as “árvores” tem mais impacto quando estão em ambiente fechado. Com seis metros de altura, uma única peça está sendo exibida ao ar livre, em Bonito (MS).

A crítica ao desperdício e ao desmatamento está constantemente presente nos trabalhos de Prades. Em 2009, ele decidiu fazer uma intervenção na esquina da Rua Soledade, em São Paulo. Depois de grafitar a praça, Jaime decidiu cuidar da árvore dali e transformá-la na “árvore das perguntas”. Ele explica:

“É uma ação muito simples: pendurei umas 30 perguntas que escrevi em pedaços de papelão catado na rua. O efeito é incrível, criou estímulo para as pessoas entrarem na esquina e se apropriarem do espaço”, disse o artista plástico na ocasião.

Ele ainda relembra algumas pergunas: “Por que tanto desperdício e tanta carência?”, “Por que não cuidamos do que é comum?”, “Você se importa com a natureza?”, entre outras.

Para quem gostou da arte consciente de Jaime Prades, a boa dica é o livro que ele lançou em 2010, reunindo suas obras desde 1987. Se quiser ver os bastidores da exposição, basta acessar o canal do artista do Vimeo clicando aqui.

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