Florestas são ameaçadas por alimentos e biocombustíveis

Por Mariana Montenegro comentário(s)

A demanda por alimentos e biocombustíveis no mundo está ameaçando as florestas tropicais. Isso é o que mostrou o relatório Status do Gerenciamento da Floresta Tropical em 2011, realizado pela Organização Internacional de Madeira Tropical, com sede no Japão. Mas, infelizmente, a consciência da destruição dessas áreas, que já foram devastadas pela ação humana, pode chegar tarde demais para salvá-las.

A culpa do desmatamento é atrelada à pressão feita pela produção de alimentos e biocombustíveis em massa e também pelo plantio de árvores de crescimento rápido, destinadas à fabricação de madeira, combustível e papel.

“A consciência sobre a proteção florestal está crescendo nos países tropicais, onde está havendo maior interesse por colheitas sustentáveis, especialmente no Ocidente, mas talvez não com a rapidez suficiente para conter o crescimento da demanda mundial por alimentos”, disse Duncan Poore, coautor do estudo e ex-diretor da União Mundial para a Conservação da Natureza.

Brasil, Indonésia e África Central possuem as maiores áreas de florestas que, ao mesmo tempo, são as mais preocupantes. Um estudo comprovou que a área total de floresta tropical, em 2010, era de 761 milhões de hectares, dos quais 403 milhões de hectares eram explorados, por exemplo, para extração de espécies de árvores nativas para madeira, e 358 milhões de hectares eram protegidos.

Já a área explorada com práticas de sustentabilidade aumentou passando de 36 milhões de hectares em 2005 para 53 milhões de hectares em 2010. Ainda segundo o estudo, o desmatamento em geral nos anos de 2005 a 2010 estavam abaixo de 1%, mas eram maiores em alguns países como Togo e Nigéria.

“O ponto fundamental é que conservar florestas não é tão lucrativo como usá-las para outras coisas. Quando se avalia o aumento do consumo na China e na Índia, essa é uma perspectiva muito alarmante”, afirmou Poore, referindo-se à demanda para converter florestas em área agriculturável, para produção de alimentos e biocombustíveis.

 

De acordo com um relatório da agência de agricultura e alimentação da Organização das Nações Unidas (ONU), para reduzir o desmatamento e consequentemente a emissão de gases foi proposto um sistema de pagamentos para esses países tropicais, conhecido como REDD. Este mecanismo teria melhor resultado a longo prazo, ou seja, faria valer mais à pena preservar as florestas do que destruí-las.

A iniciativa visa a recuperação e preservação das mesmas mas, até agora, a ideia não teve nenhum avanço. A culpa é do impasse sobre o quanto países industrializados e economias emergentes devem reduzir nas emissões de gases do efeito estufa.

 

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