Dicas para fazer melhores fotografias de céu estrelado

Por Valmir Storti comentário(s)

 

 

Fosse a única vantagem obtida pela redução das emissões de poluentes termos o céu mais limpo e podermos vê-lo realmente estrelado já seria suficiente para defendermos a sustentabilidade e a redução das emissões de CO2.

Se nos grandes centros urbanos a poluição não nos permite ter uma sensação real em relação às estrelas, trazemos algumas mostras de como já foram as noites por aqui.

Para realizar fotografias de céu estrelado como estas, o premiado fotógrafo Ben Canales buscou condições favoráveis, como ausência das camadas de poluição atmosférica e também de umidade e nuvens. E viajou para muito longe em relação às cidades, para se afastar o máximo do que chama de “poluição luminosa”, que ofusca a visualização de estrelas.

Para captar formações da Via Láctea, ele sugere visitas ao Stellarium.org para obter informações.

Ainda assim, para obter flagrantes como estes, ele emprega algumas técnicas, além de equipamento fotográfico avançado.

Faça uso de um tripé em solo estável, que suporte um vento inesperado e permita regulagem “longa” no tempo de captação do momento.

Canales sugere de 10 segundos a 30 segundos de captação da imagem, a maior abertura possível (lembre-se, quanto menor o número, maior a abertura, 2.8, possivelmente), alta sensibilidade à luz, o que nos tempos dos filmes ficou conhecido no Brasil como ASA (100, 200, 400, 800 etc.) embora câmeras mais sofisticadas permitem sensibilidades ainda maiores, maiores até do que 6.400.

Uma outra dica é desligar o “auto focus” do equipamento e usar o modo “manual”. Canales aponta que os resultados são diferentes ao usar câmeras da marca Canon e da Nikon. Na Canon, não use a regulagem de distância “infinito”. Ele mesmo não sabe por que, mas é necessário colocar um pouco menos, mantendo antes de onde se lê “L” que antecede o símbolo de infinito (aquele 8 deitado). Na Nikon, coloque a regulagem de distância até o final, em infinito.

Se sua câmera tiver um dispositivo “noise reduction”, coloque a regulagem em desligado (off). A partir daí, aproveite a “era digital” e faça vários cliques. Acerte o foco, a inclinação da câmera e divirta-se.

Para conseguir isso, utilize a “Regra dos 600”. Divida 600 pela medida da “distância focal” de sua lente (20mm, 35mm, 300mm, 600mm etc). O resultado é o tempo máximo que se deve programar o tempo de abertura. Em uma lente 20mm, 600 dividido por 20 resulta em 30 segundos de exposição máxima. A partir disso, ao invés de um ponto, a estrela começa a se transformar em uma linha. Ou seja, para aumentar o tempo de exposição, use lentes com distância focal menores.

Ou seja, se ao invés de fazer o tempo de captação do momento em segundos, fizer em minutos, um efeito totalmente diferente será obtido na imagem. Com a rotação da Terra, ao invés de pontos, as estrelas formarão traços ou um ponto em movimento (apesar de, neste caso, ser a câmera que está em movimento, junto com o planeta). Se a câmera estiver próxima a um lago, é provável que a luz das estrelas seja refletida nele, um resultado de tirar o fôlego.

Na prática, cada modelo de câmera oferece um resultado diferente para cada combinação de regulagens. Canales exemplifica comparando uma Canon 30D, na qual usa 1250 ISO (ASA) e abertura f/3.5. Mas se você tem uma câmera mais simples, busque você mesmo uma regulagem a partir das dicas. A recompensa talvez seja vários “curtir” no Facebook, mas o céu é o limite. Ben Canales tem um site: TheStarTrail.com.

Posts relacionados