Conheça os oito grandes mitos da sustentabilidade

Por Colunista comentário(s)

Para todas as minhas ações sempre tenho em mente algo que li há muito tempo atrás sobre sustentabilidade – que diz mais ou menos assim: “Sustentabilidade é um alvo que nunca será atingido em seu centro, mas estar próximo dele é o que nos torna mais sustentáveis”.  Digo isso, pois, toda atividade econômica tem um impacto ambiental. E ter em mente que às vezes o ótimo é inimigo do bom, ajuda e muito. O primeiro parâmetro que deveríamos nos basear é sempre no que diz respeito ao desperdício. Usando apenas o necessário, já estamos a meio caminho andado no assunto sustentabilidade.

 

O termo caiu na boca do povo e podemos ouvi-lo por toda a parte, muitas vezes destituído de real significado e usado para qualquer coisa, da venda de produtos de higiene aos programas de governo (aliás, ótimo que o Conar resolveu intervir!).  Mas por outro lado, é uma palavra que representa um conceito que se tornou o zeitgeist da nossa era. Muita gente fala, mas poucas entendem o real significado de sustentabilidade que está cercada de mitos e um dos maiores desafios é esclarecer o que é verdadeiro e o que é falso sobre este assunto…por isso, vamos falar de alguns mitos:

 

1. É muito comum ouvir campanhas publicitárias dizendo: vamos salvar o planeta! Ajude o planeta… e assim por diante… Esqueça.  A questão não é salvar o planeta – a Terra já sobreviveu a cinco extinções de massa (a última acabou com os dinossauros). O que esta em jogo é nos preocuparmos em mantermos os recursos naturais para a nossa sobrevivência no planeta. Se outra extinção em massa acontecer, nós – seres humanos – desapareceremos. A Terra continuará a existir.

 

2. É comum chamarmos de “verde” algo sustentável e vice e versa. Embora tenham muitas coisas em comum, o termo “verde” significa a preferência do natural sobre o artificial. Mas muitas vezes, o artificial pode ser bem mais sustentável que o natural.

 

3. Discutir a sustentabilidade pelo ponto de vista ambiental, não é sustentabilidade. É preciso considerar as perspectivas sociais e econômicas. Sem desconsiderar, também, a cultura e a política do lugar.

 

4. Reciclar se tornou a solução para a crise ambiental. Para falarmos em sustentabilidade a questão é: reciclagem é a última etapa do processo. Questões como energia e transporte são prioritárias para a sustentabilidade e pouco discutidas. Consumir produtos de menor impacto ambiental e tecnologias mais limpas deve ser prioridade em nossas escolhas. O importante é analisar o ciclo de vida de um produto.

 

5.   “Usar artefatos de couro não é ser sustentável.” Outro mito. Enquanto nossa sociedade for carnívora, podemos e devemos considerar o couro um subproduto da carne. Ou seja, ninguém mata um boi para fazer um casaco ou um sapato.

 

6. Plástico. Um dos itens que define um produto ser ou não sustentável é a sua durabilidade. Um produto de plástico pode durar anos, e poder ser reciclável. Logo, é sustentável, sim! Além disso, apenas 4% do petróleo é usado para o PVC . O grande vilão do petróleo é, e continua sendo, o transporte.

 

7. “Ser sustentável significa reduzir o padrão de vida.” Nada disso, apenas é preciso que se tenha bom senso sobre o consumo. O problema aqui são os excessos, o desperdício, e não o consumo em si. Pequenas substituições podem ter ótimos resultados. Um exemplo é o shopping Cidade Jardim, em São Paulo, um local destinado à classe AA que utiliza recursos como ventiladores de teto, ventilação e iluminação natural parte do dia e vidro para suas instalações.

 

 

8. E, por último, o mito dos mitos! A ideia de que ter uma empresa sustentável sai caro. Ter o conceito de sustentabilidade como espinha dorsal da empresa, e isso se tornar norteadora da ação empreendedora, cria referência dinâmica e gera potenciais vantagens competitivas. Redução de desperdício, transformação de resíduos em matéria-prima, economia de energia e redução no transporte são alguns dos itens que podem, não apenas contribuir para melhorar o desempenho do negócio, mas também podem se tornar um negócio em si.

 

Enfim, qualquer empreendimento – da lojinha da esquina a uma indústria têxtil – pode incorporar elementos de sustentabilidade. Basta, para tanto, que esteja disposto a combater os desperdícios e a poluição, construir uma boa relação com seus parceiros e a vizinhança e, claro, reduzir os impactos negativos de seus produtos e serviços.  E, principalmente, ter uma equipe bem treinada e com consciência voltada para essa visão de um mundo com valores sustentáveis.
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