Ohm em dose dupla

Por Malu Paes Leme comentário(s)

Yoga, pilates, hidro, caminhada, boxe…? Boxe talvez não, mas tirando lutas e coisas mais radicais, deve haver um sem fim de atividades físicas recomendáveis durante a gravidez. Então por que a yoga?

Bom, em primeiro lugar, a yoga não é só uma atividade física. Como a gravidez também não mexe só com o nosso corpo material, faz sentido para mim buscar uma prática que contempla outras dimensões da nossa existência – notadamente a mente e o espírito.

A nossa mente fará bom uso de uma dose natural de calmante — a minha, pelo menos, não para um minuto de pensar, planejar, prever… Enfim, é uma expectativa louca e a prática me ajuda muito a me conectar com o aqui e o agora. Por alguns instantes, consigo viver o presente, dar um descanso nos meus neurônios e entrar numa sintonia mais sutil.

Quanto ao espírito, bom, essa é uma questão muito pessoal e polêmica (até mais do que fraldas de pano!), mas eu acredito que a alma de uma grávida está nada menos do que se partindo em duas e uma luzinha não cai nada mal numa hora dessas.

Mas mesmo se esse papo for muito subjetivo para você, vai dar para sentir vários dos benefícios que a prática traz nesse momento. O fortalecimento do períneo é um dos mais famosos. Trata-se de um músculo que fica lá embaixo, entre as pernas, e do qual depende muito o sucesso de um parto natural. Outra vedete é o alívio das dores lombares, que acomete uma porcentagem assustadora de barrigudas. Tem também a maior oxigenação do sangue — que faz maravilhas para o crescimento de um baby, além da melhora da circulação, que evita inchaços e varizes. E por aí vai.

Mas atenção: mesmo quem já pratica deve procurar aulas específicas para gestantes. Fiquei na maior decepção quando o Mahavir, do Nirvana, me baniu das aulas dele. Mas foi com tanto carinho, que eu já me recuperei. Ele explicou que é um tempo especial, específico, e a prática deve se adaptar a esse momento –- e não o contrário. Por isso, eles têm um horário só para as futuras mamães, às terças e quintas, 12h30.

Em São Paulo, tem um espaço muito simpático na Vila Beatriz, o Paramita. É bom combinar antes de ir conhecer, porque é bem pequetito e não tem recepcionista. Tem turma de gestantes às terças e quintas às 7h15, mas devem abrir novos horários, então vale à pena mesmo entrar em contato.

A diferença é que, além da prática ser menos vigorosa, tem também umas adaptações em algumas posturas, quase sempre para não esmagar o baby lá dentro. A postura da criança, por exemplo, nós fazemos com os joelhos e os pés afastados, para caber o barrigão lá no meio. As torções são só na parte de cima da coluna — nada de massagear os órgão internos, como a gente tem a intenção de fazer normalmente.

No começo, estranhei um pouco, tinha a sensação de que a prática não estava dando muito resultado. Mas acho que era mais uma questão de me sintonizar na freqüência certa. Tudo tem seu tempo. E agora é tempo de ir mais devagar.

Namastê!

Ana Carolina Fialho (fialho.ana@gmail.com) é jornalista, carioca e vive em São Paulo há cinco anos. Em agosto, ela também será a mãe do Jorge.

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